Transportes colocam Curitiba como uma das cidades mais sustentáveis do mundo
Publicado em 30 de setembro, 2011Levantamento de Revista Especializada levou em consideração os corredores de ônibus implantados na cidade há 37 anos, a única brasileira a aparecer no ranking mundial
Os transportes coletivos são apontados por especialistas em urbanismo não apenas como soluções para o trânsito, mas também para os problemas de poluição e para o aumento da qualidade de vida.
Isso porque, o transporte público de qualidade estimula as pessoas a deixarem os carros em casa. Com menos veículos, menores são os congestionamentos, melhor é a ocupação do espaço urbano e mais rápidos são os deslocamentos, sobrando mais tempo para viver de fato: estudar, passar mais com a família, ter atividades culturais ou simplesmente descansar.
A publicação canadense Corporate Knights, especializada em sustentabilidade coorporativa, trouxe uma artigo sobre as 10 cidades mais resilientes do planeta.
As informações foram disponibilizadas ao Brasil pela Revista Época.
Cidade resiliente é aquela que se empenha em retornar o equilíbrio ecológico e ambiental após passar por processo de urbanização e que, durante este processo, já pensou no bem estar das pessoas e na diminuição dos impactos negativos ao meio ambiente.
O artigo foi de responsabilidade do especialista e empresário Boyd Cohen (que juntamente com um dos papas da sustentabilidade, Hunter Lovins, escreveu o livro “Climate Capitalism”) .
Ele levou em consideração os projetos e ações de crescimento urbano que privilegiam o bem estar coletivo e os efeitos positivos em relação ao meio ambiente , que foram desenvolvidos por governos locais há cerca de 40 anos.
A ÚNICA cidade brasileira que aparece no ranking de município que cresceu com responsabilidade é Curitiba.
E, de acordo com Boyd Cohen, o principal motivo para isso foi o plano de desenvolvimento urbano que deu ênfase a corredores de ônibus expressos, do tipo BRT (Bus Rapid Transit), criados pela primeira vez no mundo com estas concepções há exatos 37 anos, pelo então prefeito de Curitiba, Jaime Lerner.
O especialista em sustentabilidade apontou os corredores de ônibus como soluções adequadas para o desenvolvimento que respeite a natureza e garante a qualidade de vida das pessoas, não apenas como alternativa de 37 anos atrás, mas atual e que deveria ser ampliada em países com a realidade brasileira, cuja necessidade de desenvolver as cidades utilizando recursos da população de maneira responsável é ainda maior.
Boyd Cohen levou em consideração o número de pessoas que podem ser beneficiadas por u sistema de BRT em relação aos baixos custos e rapidez de implantação, o que não significa menos qualidade de transportes.
1 – Copenhague, Dinamarca - 40% dos cidadãos vão para o trabalho de bicicleta. Foi a única cidade a obter a pontuação máxima no quesito “comprometimento político”. Juntamente com Curitiba, é a cidade com a menor emissão de CO² per capita.
2 – Curitiba, Brasil - Pensou num desenvolvimento voltado para as pessoas e não para veículos. e como solução que traz bons impactos ambientais, mas sem gastos extravagantes, adotou o ônibus. Também foi considerado também o plano de prevenção contra enchentes implementado na cidade na década de 70, por meio da criação de parques ao longo dos rios e canais do município.
3 – Barcelona, Espanha – Um percentual pequeno de energia renovável abastece a cidade, mas chama a atenção seu empenho em difundir o uso de energia solar. A administração municipal estabeleceu que todas as novas residências ou reformas devem incluir algum sistema de aquecimento solar – geralmente, para a água.
4 – Estocolmo, Suécia – A cidade se destacou pelo comprometimento político e pela quantidade de áreas verdes, mas ficou atrás de Paris quando avaliada a extensão da rede de transporte por trilhos per capita. Sua meta de redução de gases de efeito estufa é a segunda mais drástica.
5 – Vancouver, Canadá - A cidade teve a maior pontuação dentre todas as cidades norte-americanas. Assim como São Francisco, a São Francisco pretende reduzir suas emissões em 80% até 2050, em relação a 1990. Noventa por cento da energia da cidade provém de fonte renovável e há investimentos para que ela tenha seu próprio sistema distrital de energia.
6 – Paris, França - Além de ser signatária de uma série de pactos internacionais, Paris também obteve a maior pontuação na categoria “extensão de transporte por trilhos por habitante”. É uma das poucas cidades do estudo que tem um projeto de adaptação em curso: mais de 100 mil árvores foram plantadas e outras 20 mil recobrem os telhados da cidade.
7 – São Francisco, Estados Unidos – No ranking de Cohen, a cidade mantém a posição número 1 no país. Ocomprometimento político e a meta agressiva de, como Vancouver, reduzir em 80% suas emissões até 2050 (1990 como referência), angariaram pontos para a cidade. Ações para expandir o uso de energia solar também contaram.
8 – Nova York, Estados Unidos - O prefeito da cidade, Michael Bloomberg, tem sido um bom advogado da causa de tornar a cidade mais sustentável. Extensão da rede de transporte por trilhos (metrô) e das áreas de parques colocaram a metrópole entre as dez mais resilientes.
9 – Londres, Inglaterra- Uma série de medidas de adaptação na cidade fizeram com que ela fosse incluída na lista. A criação da “zona de congestionamento” na cidade, que diminuiu o trânsito de carros e aumentou o de transporte público e a implementação da segunda maior barreira móvel contra enchentes do mundo foram medidas valorizadas pelo especialista.
10 – Tokio, Japão - A única cidade asiática do ranking tem no seu plano de ação contra mudanças climáticas um de seus pontos fortes. Precisa investir mais em energias renováveis e áreas públicas verdes. Por outro lado, o forte apoio à iniciativa privada para a inovação em tecnologias limpas e mitigação de problemas relacionados ao clima a fez merecer estar no ranking.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

